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Tendências do Mercado Imobiliário 2026: o 2º Semestre

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Revi· Especialistas em Gestão Imobiliária
15 min de leitura
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Ilustração isométrica de prédios residenciais com gráfico de linha ascendente e painéis de dados em tons de azul, representando as tendências do mercado imobiliário brasileiro em 2026
Pontos-chave
  • A Selic caiu para 14% ao ano em agosto de 2026, o quarto corte consecutivo, mas as taxas do financiamento imobiliário reagem com atraso e seguem em dois dígitos
  • O crédito imobiliário somou R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre, alta de 23% sobre 2025, e 70% do crédito de aquisição foi para imóveis usados (Abecip)
  • O aluguel subiu 8,68% em 12 meses contra 5,46% da venda, o que torna a carteira de locação a receita mais previsível do semestre (FipeZAP)
  • O Minha Casa, Minha Vida respondeu por 49% das vendas de imóveis novos no 1º trimestre e a Faixa 4 subiu para renda de até R$ 13 mil e imóveis de até R$ 600 mil
  • 40% dos interessados em comprar ou alugar já usaram IA na busca por imóvel, mas só 20% das imobiliárias brasileiras usam IA em algum processo (Grupo OLX)

O que já está definido para o segundo semestre de 2026

As tendências do mercado imobiliário brasileiro para o segundo semestre de 2026 são cinco: o ciclo de queda da Selic iniciado em março, o crédito imobiliário em expansão acelerada, o aluguel subindo bem mais rápido que o preço de venda, a virada nas regras de captação de recursos para habitação que se completa em janeiro de 2027, e a entrada da inteligência artificial na busca feita pelo próprio comprador.

Nenhuma dessas cinco é adivinhação. Todas já apareceram nos números publicados entre janeiro e agosto deste ano. O que ainda está em aberto não é se elas vão acontecer, e sim quanto de cada uma chega até a mesa de negociação do corretor nos próximos meses.

Este guia organiza o que o primeiro semestre entregou de fato, com fonte para cada número, e traduz cada movimento em decisão prática para corretores e imobiliárias no Brasil.


Juros: o ciclo virou, o custo do dinheiro ainda não

Em 5 de agosto de 2026, o Copom reduziu a Selic para 14,00% ao ano, o quarto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual desde março (Banco Central). A decisão foi unânime e veio apoiada na desaceleração do IPCA-15, que marcou 0,06% em julho e acumulou 4,52% em 12 meses, ainda ligeiramente acima do teto da meta.

Antes da reunião, o Boletim Focus mostrava o mercado projetando Selic de 13,75% no fim de 2026 e IPCA de 5,03% para o ano. Ou seja: a direção é de queda, mas a magnitude esperada até dezembro é modesta.

Por que a queda da Selic ainda não apareceu na prestação do cliente?

Porque o financiamento imobiliário não acompanha a Selic em tempo real. As taxas do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) se movem com atraso, dependem do custo de captação de cada banco e do risco de crédito do comprador, e em 2026 seguem na faixa de dois dígitos.

Na prática, o corretor precisa administrar uma expectativa desalinhada. O cliente lê "Banco Central corta juros" na manchete e chega achando que a parcela caiu. Não caiu, ou caiu pouco. O que mudou de verdade é outra coisa: o crédito voltou a ser ofertado em volume, e isso pesa mais na conversão do que meio ponto na taxa.

O contraponto honesto: a própria CBIC reduziu em maio de 2026 a projeção de crescimento do PIB da construção no ano, de 2% para 1,2%, citando custo de material no maior patamar desde 2022 e uma queda de juros menor que a esperada. Otimismo com o semestre, sim. Euforia, não.


Crédito imobiliário: o melhor primeiro semestre em anos

O crédito imobiliário somou R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 23% sobre os R$ 147,1 bilhões do mesmo período de 2025, segundo balanço da Abecip divulgado em julho de 2026. Abrindo por fonte de recurso:

  • SBPE (poupança): R$ 93,7 bilhões, alta de 29%
  • FGTS: R$ 77,6 bilhões, alta de 22%, com mais de 350 mil imóveis financiados
  • Crédito para construção: R$ 26,5 bilhões, alta de 107% sobre os R$ 12,8 bilhões de 2025
  • Crédito para aquisição: R$ 67,2 bilhões, alta de 12%, com mais de 160 mil imóveis financiados

O dado mais útil para quem vende está escondido na última linha: 70% do crédito de aquisição foi para imóveis usados.

Por que o imóvel usado voltou ao centro do jogo?

Porque é onde o dinheiro do comprador está indo. Enquanto a manchete do setor fala de lançamento, a maior parte do volume financiado para aquisição no primeiro semestre foi para unidades usadas.

Isso muda a prioridade da imobiliária no segundo semestre. Uma carteira de usados bem cadastrada, com fotos atuais, metragem correta, condomínio e IPTU informados, é ativo de conversão imediata, não estoque parado. E é justamente aí que a maioria das operações perde negócio: imóvel captado há oito meses, com preço desatualizado e três fotos escuras, simplesmente não aparece na busca do comprador que está com crédito aprovado na mão.


A mudança de regra que redesenha o financiamento a partir de 2027

O governo anunciou em outubro de 2025 um novo modelo de captação para o crédito imobiliário, detalhado pela Agência Brasil. Pelas estimativas do Banco Central, a mudança viabiliza R$ 111 bilhões em recursos no primeiro ano, R$ 52,4 bilhões a mais que o modelo antigo.

Os pontos que interessam a quem vende:

  1. O compulsório da poupança cai. Dos 20% retidos pelo Banco Central, o percentual recua para 15% durante a transição, com o modelo pleno entrando em vigor em janeiro de 2027.
  2. A poupança deixa de ser a única perna. LCI, LIG e CRI ganham peso como fonte de recursos, o que reduz a dependência do saldo da caderneta.
  3. O direcionamento sobe. O Conselho Monetário Nacional aprovou a elevação gradual do percentual de depósitos de poupança destinados a crédito imobiliário, dos atuais 65% rumo a 100% até 2027.

O segundo semestre de 2026 é a janela de transição. Para o corretor, a leitura prática é simples: a tendência estrutural é de mais funding disponível em 2027, não menos. Cliente que está "esperando melhorar" pode ser trabalhado agora com um argumento concreto de calendário, em vez de promessa vaga.


Preços: a venda anda, o aluguel corre

Aqui está a assimetria mais importante do ano, e a que menos aparece em conversa de corretor.

Segundo o Índice FipeZAP:

Indicador Variação em 12 meses
Venda residencial (julho/2026) +5,46%
Locação residencial (junho/2026) +8,68%

No mês de julho, a venda residencial subiu 0,46%, acumulando 2,89% em 2026. A locação vem correndo bem acima disso e acima da inflação, mês após mês.

O aluguel virou o melhor negócio do semestre?

Para muita imobiliária, virou sim, pelo menos em previsibilidade de receita. Aluguel subindo quase 9% em 12 meses significa base de administração se valorizando sozinha, receita recorrente e um proprietário com motivo real para conversar sobre reajuste e recolocação.

Isso não substitui a venda. Mas dá para tratar locação como linha estratégica em vez de "consolo de quem não vendeu", e o dado do FipeZAP sustenta essa conversa com o dono do imóvel. Vale lembrar que os imóveis compactos, de um dormitório, aparecem entre os que mais se valorizam no país, o que empurra o interesse de investidor para o mesmo tipo de produto.


Minha Casa, Minha Vida é quase metade do mercado

Nos Indicadores Imobiliários Nacionais do primeiro trimestre de 2026, divulgados pela CBIC em 25 de maio, o Minha Casa, Minha Vida respondeu por 49% de todas as vendas de imóveis novos, cerca de 54 mil das aproximadamente 110 mil unidades comercializadas no trimestre. O estoque do programa estava em 7,6 meses de venda, patamar considerado saudável.

Norte e Centro-Oeste lideraram o crescimento no período, com altas de 11,1% e 10,9%.

A mudança que mais mexe com o público do corretor é a Faixa 4. Pela portaria publicada em 1º de abril de 2026, o Ministério das Cidades elevou o teto de renda da faixa de R$ 12 mil para R$ 13 mil e o valor máximo do imóvel de R$ 500 mil para R$ 600 mil, com prazo de financiamento de até 420 meses. Isso deslocou o programa para dentro da classe média, um perfil que antes o corretor não associava a MCMV.

Se sua carteira tem imóvel novo até R$ 600 mil e você ainda qualifica lead perguntando só "qual seu orçamento?", está deixando encaixe de faixa em cima da mesa.


Temporada: cresce, mas ficou mais regulada

O aluguel por curta temporada seguiu em expansão em 2026. Nos dados do primeiro trimestre, o Brasil registrou alta superior a 20% no número de noites reservadas no Airbnb pelo terceiro trimestre consecutivo, figurando entre os principais mercados de crescimento global da plataforma.

Só que o cenário jurídico e tributário mudou no mesmo ano, e em duas frentes:

Para o corretor que trabalha investidor, isso deixou de ser detalhe. Vender um studio com a promessa de rentabilidade em plataforma, sem verificar a convenção do condomínio, virou risco concreto de reclamação depois da venda. Checar destinação e assembleia antes de anunciar é o novo básico.


Inteligência artificial: saiu do marketing e entrou na busca do cliente

Esta é a tendência que mais muda o dia a dia de quem vende, e a mais subestimada.

Uma pesquisa do Grupo OLX de 2025, feita com cerca de 1.000 usuários dos portais ZAP, Viva Real e OLX interessados em comprar ou alugar, mostrou que 40% já haviam recorrido a ferramentas de IA como ChatGPT e Gemini durante a busca por imóvel. Entre quem testou, 60% consideraram a tecnologia importante ou muito importante (Portal ClienteSA).

Do outro lado do balcão, em levantamento também de 2025, o mesmo Grupo OLX estimou que apenas 20% das imobiliárias brasileiras usam IA em alguma etapa do processo, contra cerca de 85% nos Estados Unidos.

E o canal mudou de lugar em 2026: em junho, o Grupo OLX levou seus anúncios, incluindo imóveis, para dentro do ChatGPT, permitindo que o consumidor pesquise por linguagem natural sem abrir o portal.

O comprador ainda começa a busca no Google?

Começa, mas não só. Uma parte relevante da jornada já passa por assistentes de IA antes de qualquer clique em portal, e o comportamento é diferente: em vez de digitar "apartamento 2 quartos Pinheiros", a pessoa descreve a vida que quer ter e pede uma recomendação.

Isso tem consequência direta no seu anúncio. Descrição genérica, do tipo "lindo apartamento, ótima localização", não dá à máquina nada para trabalhar. Descrição com metragem, ano de construção, andar, posição solar, valor de condomínio, distância de metrô e do que existe no entorno vira resposta citável. É o mesmo princípio de SEO que já valia para o Google, agora com um leitor a mais.

Se você quer entender esse movimento em profundidade, vale a leitura do nosso guia sobre inteligência artificial no mercado imobiliário e do panorama de marketing imobiliário digital.


O que fazer com tudo isso: 5 movimentos para o segundo semestre

1. Revise a carteira de usados antes de captar mais

Como 70% do crédito de aquisição foi para usados, o retorno mais rápido não está em captar novo, está em recolocar o que você já tem. Preço atualizado, fotos refeitas, descrição completa. Imóvel com cadastro pela metade não compete com quem fez o dever de casa.

2. Trate a locação como linha de receita

Com aluguel subindo 8,68% em 12 meses contra 5,46% na venda, a base de administração é o ativo mais previsível da operação hoje. Conversa com proprietário sobre reajuste e recolocação tem, este ano, um dado público para sustentar.

3. Escreva anúncio para gente e para máquina

O mesmo texto precisa convencer quem lê e ser específico o bastante para ser recuperado por um assistente de IA. Dados concretos vencem adjetivos. Essa é a mudança de hábito mais barata e de maior retorno do semestre.

4. Qualifique o lead na entrada, não na terceira conversa

Volume de crédito maior significa volume de contato maior, inclusive de curioso e de spam. Sem triagem, o corretor gasta o melhor horário do dia com quem nunca ia comprar.

No Revi, o contato que chega pelo portal cai numa caixa de entrada com score de 0 a 100 gerado por IA, com justificativa e etiqueta de intenção. Você descarta o que não presta e promove o resto para o funil do CRM em um clique. A IA da plataforma também escreve a descrição do anúncio a partir do cadastro e dá uma nota de 0 a 100 para a qualidade do imóvel, apontando a próxima melhoria. Teste grátis por 14 dias, sem cartão de crédito.

5. Não deixe sua presença digital inteira na mão de terceiros

Anunciar em portal é distribuição, e distribuição é importante. Mas o portal é do portal. Ter um site próprio com domínio e página por imóvel é o único ativo digital que continua seu quando o custo do lead do marketplace sobe.

No Revi, esses dois caminhos convivem: você publica seu portal com domínio próprio e SSL incluso, e o mesmo cadastro alimenta um feed que ZAP Imóveis, Viva Real, OLX (via Canal Pro) e Chaves na Mão leem sozinhos. O plano de anúncio continua sendo contratado por você direto com cada portal.

Vale registrar o que a plataforma ainda não faz: importação de base em massa por planilha e relatórios de conversão por corretor não estão disponíveis hoje.

Conclusão

O segundo semestre de 2026 chega com um mercado mais líquido do que o do ano passado, porém menos eufórico do que a manchete de corte de juros sugere. O crédito voltou em volume, o comprador de usado tem financiamento, o aluguel se valoriza acima da venda, o MCMV alcançou a classe média pela Faixa 4 e a busca por imóvel começou a acontecer dentro de assistentes de IA.

O corretor que atravessa bem esses meses não é o que acerta a previsão da Selic. É o que mantém a carteira atualizada, responde rápido, escreve anúncio com informação de verdade e não depende de um único canal para existir na internet.

Se a sua operação ainda está espalhada entre planilha, WhatsApp e anúncio em portal alheio, este é um bom momento para reorganizar. O Revi reúne CRM com funil visual, agenda integrada, portfólio de imóveis e portal próprio com domínio personalizado no mesmo lugar, a partir de R$ 49 por mês. Teste grátis por 14 dias, sem cartão de crédito.

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